Entrevista com Rodrigo Giaffredo da IBM

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Entrevista com Rodrigo Giaffredo da IBM

Robson Cristian
Escrito por Robson Cristian em 6 de janeiro de 2017
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Eu não entrevisto gente fraca e o Rodrigo Giaffredo é prova disso! Um IBMista pra lá de gente boa, inteligente pra caramba e grande disseminador de conhecimento. Um ex-cara-de-finanças que virou um ninja em design thinking, agile e storytelling! Graduado e pós-graduado pela FGV, com especialização em Yale. O “Giaffredo” falou sobre coisas muito bacanas nessa entrevista que fizemos remotamente. Confira!

Tirando a descrição profissional bonitinha que tem no seu Linkedin, quem é o Rodrigo Giaffredo?

Robson, antes de responder deixa eu te agradecer mais uma vez pelo espaço e pela entrevista, muito generoso da tua parte. Então mano, o Rodrigo Giaffredo é o “Giaffredo”, um cara que fica muito satisfeito toda vez que compartilha conhecimento e percebe que aquilo foi relevante pra alguém.

Além disso ele é um cara que se amarra muito em lidar com gente diferente dele, por causa do tanto que ele aprende e do tanto que ele se surpreende com o que “sai” toda vez que uma galera com perfis divergentes resolve se unir em torno de um propósito comum. Ele gosta de andar de Harley nas estradas, às vezes sozinho, às vezes com a mina dele na garupa.

De finanças e controladoria para design thinking, storytelling e agile, como foi essa transição de carreira aparentemente ousada?

Pra ser bem sincero, eu comecei a trabalhar bem cedo, muito mais por necessidade do que pra seguir o meu sonho. Minha filha nasceu quando eu tinha 23 anos de idade, e tinha uma galera formada em administração de empresas se dando bem com as tais “análises avançadas de demonstrações financeiras” – era o “bonde da controladoria”. Daí eu embarquei, isso lá em 2001.

Em 2006 eu conheci um Web Designer, que mandava muito em Flash, e foi esse cara que me apresentou a filosofia do foco na experiência do usuário. Design Thinking e Storytelling entraram na minha vida nessa época. Em 2009 eu comecei a trabalhar na IBM fazendo consultoria estratégica em finanças. Fiquei nessa uns 3 anos, até que recebi um convite pra ir pro CIO da América Latina. E foi aí que a brincadeira começou de verdade.

Em 2014 eu tive a oportunidade de liderar meu primeiro projeto grandão mesmo usando o blend matador “Design Thinking & Storytelling & Agile”, numa iniciativa conjunta com RH, e fui tão bem sucedido que ganhei credibilidade. De lá pra cá foi só alegria, não parei mais. Como a galera lá sabe que gosto muito de estudar, me deram uma oportunidade surreal de aprender Agile na própria IBM, com uma turma muito fera, muito fera mesmo. A parada é tão séria que a gente tem a IBM Agile Academy.

Virei hardcore user desse trio, e sem-querer-me-gabar-já-me-gabando, o CIO foi a primeira organização que se reestruturou e adotou a cultura de agilidade pra valer dentro da Big Blue. Sinto que faço parte da história da companhia por ter participado desse momento de transformação tão relevante, por tudo que ele significa.

O que essa grande experiência na área financeira te ajuda hoje em dia?

A galera de finanças, principalmente quem tem um pé no mercado financeiro, aprende a questionar com profundidade qualquer premissa, sem exceção. A gente aprende a valorizar fundamentos, a olhar a “big picture”, sem se emocionar demais ou sem tomar decisões precipitadas.

Pensando nas qualidades soft que um bom design thinker tem que ter, isso me ajuda demais a provocar os participantes a desafiarem sempre o status-quo, a buscarem conhecer quais as intenções dos usuários “vítimas” de maus produtos ou serviços, e a priorizarem ideias com base em critérios empáticos (com a visão do outro) de importância e viabilidade. A gente não infere, a gente co-cria.

Você passou pela Coca-Cola e Scania antes de entrar na IBM. Quais as diferenças que você notou entre trabalhar em uma empresa de tecnologia e em empresas de outros ramos?

Cara, as indústrias tem umas paradas muito pitorescas né. Principalmente indústria de bens de consumo e indústria automotiva. Pelo lado mais “recursos humanos” o lance rígido de horário de entrada / horário de saída, e o lance da hierarquia organizacional, chamam muita atenção.

Já pelo lado de estratégia de negócios o lance da inovação estar presente somente nas áreas de desenvolvimento de produtos e de marketing é muito marcante. Em geral, impera um pragmatismo maior, um apego mais forte à tradição e ao “que vem dando certo há anos”.

O que é diametralmente oposto ao que a gente vê em empresas de tecnologias disruptivas como a IBM, onde o que chama mais atenção é o comprometimento com uma entrega de valor pontual e diferenciado, não importando se você produz melhor de manhã ou de noite, ou se você usa terno e gravata ou camisa florida com bermuda.

Outra parada muito legal é que nas tech companies o “bichinho” da inovação e da mania por melhores “user journeys” está pra todo lado, seja em áreas de pesquisa e desenvolvimento, seja em áreas operacionais.

Trabalhar em empresas centenárias foi algo que você buscou ou acabou acontecendo? Na sua opinião, o que faz essas empresas tão longevas?

Sendo bem franco contigo, eu nem sonhava em trabalhar na IBM um dia. Vim à convite de um executivo IBMista, que me atendeu na época em que fui cliente ainda na Coca-Cola.Mas, foi muito legal porque eu me senti à vontade desde o primeiro minuto, fiz bons amigos, aprendi e aprendo demais, e aí eu acho que está um dos segredos da longevidade das empresas centenárias: o esforço consciente e coordenado de facilitar o compartilhamento de conhecimento, o aprendizado do “novo”, e a provocação em torno de desafios cada vez maiores, e que exijam dos profissionais interações sinceras com pessoas muito diferentes entre si, seja por idade, conhecimento, história, enfim.

A empresa que “cutuca” os indivíduos a se transformarem e se renovarem, acaba evoluindo junto com esses profissionais, e esse renovo garante ciclos novos, oxigenados, de tempos em tempos. No caso da IBM em especial, tem um lance no coração do IBMista que é o de fazer algo por um mundo melhor. Nosso alvo é o mundo. Muito louco isso.

Vejo muito se falar da “nova IBM”, tanto de você quanto de outros IBMistas. O que isso significa na prática?

A “nova IBM” é o termo que a gente usa quando apresenta pra geral o que a empresa faz hoje em dia. Ce sabe que poucos anos atrás tinha universitário pensando que a gente tinha falido, fechado. Tem gente que até hoje pensa que nosso negócio é vender servidor mainframe e notebook THINKPad. Quando na verdade a gente é uma empresa de soluções cognitivas em plataforma na nuvem.

A gente hoje desenvolve APIs cognitivas utilizáveis nos negócios, na educação, na saúde, na cyber segurança, aumentando a capacidade humana, através desses “assistentes cognitivos”, pra níveis inimagináveis até pouco tempo atrás. Watson, conhece? A gente desenvolve soluções usando Blockchain – nos trilhos do Hyper Ledger. A gente faz vários blends de IoT com Analytics, a gente presta consultoria, e sim, a gente vende uns mainframes também. Essa é a “nova IBM”, que agora em 2017 comemora seu centenário no Brasil.

Falando agora especificamente do seu trabalho no CIO Services da IBM América Latina, como você vê a adoção de agile, storytelling e design thinking pelas empresas que você visita? Como está a maturidade do pessoal nesses assuntos?

Eu vejo muita gente querendo rolar a transformação Agile, eu vejo muita gente investindo pesado pra certificar os profissionais em Scrum e tals. Mas eu ainda vejo pouca gente se tocando que o Agile Manifesto é que é o tesouro desse contexto.

A transformação Agile acontece de verdade quando a gente tem a consolidação dos valores e princípios fundamentais descritos no manifesto, criando de fato uma cultura nova. Abertura, respeito, confiança, coragem, aprendizagem iterativa e incremental, “empoderamento” dos times, clareza de objetivo, coragem de fazer protótipos.

Líderes que medem o que importa, que formam times e distribuem bem o trabalho entre eles. Isso dá um trabalhão. Mas vale o rolê, com certeza. Obviamente tem gente que já caiu a ficha e tem maturidade convincente nesses assuntos.

Mas na minha opinião, as que melhor entenderam são as que se valem do blend todo, ou seja, que conectam esses 3 assuntos pra no final entregar coisas incríveis pros seus clientes, internos ou externos. E sinceramente, são poucas, principalmente entre as grandes, de todos os segmentos.

Você tem dicas de livros para a galera que se interessa por essas áreas?

Eu gosto muito do “This is Service Design Thinking” – Marc Stickdorn, Jakob Schneider e coautores. Já pra Agile eu to pra ver um documento publicado melhor do que o “Agile Manifesto” – www.agilemanifesto.org. No caso de Storytelling, recomendo “50 Essential Strategies for Every Writer”- Roy Peter Clark, principalmente pela abordagem multi disciplinar indo desde a leitura de livros até a escrita de materiais jornalísticos.

Só uma curiosidade: vi que você fez uma especialização em moral contemporânea em Yale, como foi essa experiência e como ela tem te servido?

Em algum momento depois de usar bastante os artefatos de Design Thinking, rodar bastante sessão e mediar bastante conflito, eu percebi que o lance de criar empatia pela “vítima” do produto ou serviço que a gente quer transformar é uma habilidade chave, que diferencia e qualifica muito o nível das entregas que acabam saindo dos exercícios. E ce sabe que não é fácil se colocar mesmo, de corpo e alma, no lugar do outro né?

Fui ver o por que, e muitos fatores passam por aquelas coisas que a gente aprende ao longo da vida, relacionados a nossa experiência cotidiana. As pessoas com quem você convive, os valores que te ensinaram, a química das reações guturais, quase inconscientes, que a gente tem diante de diferentes situações. Eu senti que precisava me aprofundar nesse xunxo, daí fui estudar. Já falei que adoro estudar?

Para fechar, uma pergunta que sempre gosto de fazer, qual seria a sua dica de ouro se pegasse o DeLorean DMC-12 do Dr. Brown e se encontrasse lá no início da carreira?

Eu diria com certeza “Giaffredo, rápido, rápido, entre no carro, entre logo no carro antes que esse medo de fazer o que gosta só por que não vai te dar muito dinheiro atrase demais o dia em que finalmente você vai fazer aquilo que ama, e ainda ser pago pra isso!”.

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