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O Fim dos Empregos, Robôs Assassinos e um Bolsa Família Mundial

Robson Cristian
Escrito por Robson Cristian em 11 de dezembro de 2016
O Fim dos Empregos, Robôs Assassinos e um Bolsa Família Mundial
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TL;DR: Esse é um texto cheio de observações malucas, achismos e alguns chutes sobre o futuro da sociedade. Cuidado ao ler! Tem vezes que a ignorância é uma bênção!

Você já se perguntou o que vai acontecer quando os robôs realizarem a maior parte ou todo o nosso trabalho? Perceba que eu disse “quando” e não “se”. O bonde do se já está longe, muito longe…

O Brasil tem aproximadamente 12 milhões de desempregados, segundo o IBGE. Para você entender o tamanho da encrenca, isso é mais do que a quantidade de gente que vive na cidade de São Paulo! Assustador, não?

Outros países também não estão nada bem. Em termos percentuais, somos apenas o sétimo no ranking de desemprego, empatados com a Itália, e atrás da África do Sul, Espanha, Montenegro, Jordânia, Croácia e Chipre.

Pior, existe ainda um outro agravante, a população mundial não para de crescer. De 01/01/2016 até 17/11/2016, momento em que escrevo esse trecho, a população mundial cresceu em aproximadamente 73 milhões (diferença entre nascidos e falecidos), chegando a quase 7,5 bilhões de pessoas!

E aí, o que faremos com cada vez mais gente no planeta, precisando comer, vestir, morar, …, em um mundo sem (ou quase sem) empregos? Quanto seremos mudados pelos avanços tecnológicos dos próximos 10-30-50 anos?

Um caminho sem volta

Robô Sophia

Os avanços na robótica, inteligência artificial, biotecnologia, nanotecnologia, internet das coisas, entre outras áreas tecnológicas, estão mudando a estrutura da nossa sociedade. Infelizmente ou felizmente, algo que está muito longe do radar da maioria da população.

De limpeza doméstica, montagem de equipamentos e inspeção de qualidade em fábricas até atendimento aos consumidores, arbitragem de futebol e entregas em geral. A lista de profissões em extinção só aumenta.

“Tem muita gente estudando coisas que não importarão em um futuro próximo.” clique para tweetar essa frase tensa

Mais do que uma questão de profissão, eu acho que tem muita gente se preparando para uma vida nos moldes de décadas atrás, algo que não faz o menor sentido. Está na hora de deixarmos a herança fordista de lado e pararmos de viver em linha de produção.

“Estamos, muitas vezes, buscando respostas para perguntas que já não importam mais” clique para tweetar essa sabedoria toda

Vejo os taxistas brigando com os motoristas do Uber, enquanto os carros autônomos estão evoluindo para substituí-los. Eles deviam começar a aprender programação, robótica, entre outras “habilidades do futuro”, em vez de perder tempo brigando. Agora brigam com o Uber, depois brigarão com o próprio app de táxi que usam.

Será que as empresas de apps de táxi adotarão os carros autônomos? Pensa comigo, você acha que depois de detonarem as cooperativas/rádio-táxis, elas deixarão de adotar uma tecnologia como essa? Jura, né!

Digo mais! É uma questão de tempo também para as grandes montadoras (e as grandes empresas de tecnologia) lançarem os seus próprios serviços de compartilhamento de carros autônomos. Na verdade, já tem “cachorro grande”, vulgo Tesla, dizendo que isso é premissa para o futuro!

Agora uma previsão minha:

“O ser humano será proibido de dirigir no futuro. Por quê? Porque a nossa imprevisibilidade ferra tudo!” clique pra tweetar o meu chute e provar que errei no futuro

Saindo dos carros e entrando nos robôs, existe uma tendência mundial de colocar cada vez mais robôs em operação, como é mostrado no gráfico abaixo do IFR (International Federation of Robotics) que representa a venda de robôs industriais de 2013 até 2015.

Venda de robôs industriais no mundo

Esse mesmo grupo, traz também informações e tendências para os robôs de serviço. De acordo com eles, entre robôs profissionais e pessoais, eles preveem que serão vendidos mais de 42 milhões de robôs de 2016 até 2019.

Além dos robôs físicos, os robôs digitais, principalmente os chatbots, estão em processo de revolucionar o atendimento mundial. Atualmente, talvez você ache até besteira porque tem muito robô de atendimento no mercado que é uma porcaria, mas a tendência é que melhorarão e substituirão muitos trabalhadores humanos.

“O primeiro nível de call center certamente vai ser substituído. Os bots conseguem resolver de 70% a 90% dos problemas. O restante das demandas será direcionada a um atendimento especializado”, disse Paulo Curio da Movile para a Exame.

Em qual nível de um call center você acha que trabalham a maioria das pessoas?

Além dos carros, robôs e chatbots, ainda tem os drones, com um mercado estimado de 127 bilhões de dólares, segundo a PWC, e potencial para revolucionar alguns setores: transportes, infraestrutura, agricultura, segurança, entre outros.

A minha namorada, pessoa crítica e inteligente, acredita que no Brasil esse negócio de entrega de pizza com drones vai dar m*****. “É dois palitos para alguém derrubar para roubar a pizza”. Você concorda?

Eu já estou vendo drones armados na minha bola de cristal…

Os robôs podem salvar a sua vida, mas também…

Robôs assassinos

Eu sempre fui louco por robôs! Para mim, tem algo muito mágico em você programar uma máquina para te ajudar em algumas tarefas. Pelo menos era assim que eu pensava até começar a avaliar alguns dilemas que os robôs terão que lidar. Percebi rapidamente que a coisa não é lá tão bela e formosa…

Um carro está sem freio e vai em direção a um grupo de pessoas que está atravessando uma rua. O motorista precisa decidir entre duas opções: jogar o carro de um penhasco (morte certeira) ou atropelar as pessoas.

O que você decidiria?

Como não foi dito se o motorista está ou não sozinho, você pode presumir que ele está e fazer uma análise matemática (muitas pessoas versus uma pessoa) para justificar a morte do motorista. Certo? Como você decidiu assim, espera que os carros autônomos sejam programados dessa maneira também. Não concorda?

O seu carro autônomo (com você dentro) está sem freio e vai em direção a um grupo de pessoas que está atravessando uma rua. Ele precisa decidir entre duas opções: jogar-se de um penhasco (morte certeira para você) ou atropelar as pessoas. Como ele foi programado para decidir isso matematicamente, ele foi em direção ao penhasco…

E aí, você compraria esse carro?

Existe toda uma questão de heroísmo envolvida e tem chance de você considerar a compra mesmo assim. Certo?

Ou, você seria a favor de matar várias pessoas inocentes?

O seu carro autônomo (com você e 3 membros da sua família dentro) está sem freio e vai em direção a um grupo de pessoas que está atravessando uma rua. Ele precisa decidir entre duas opções: jogar-se de um penhasco (morte certeira para você) ou atropelar as 5 pessoas. Como ele foi programado para decidir isso matematicamente, ele foi em direção ao penhasco…

A mesma situação, mas com um detalhe muito importante: a sua família está dentro. E aí, você compraria esse carro?

Uma última reflexão:

Você está atravessando uma rua e…

Complicado, não? Sem falar dos robôs mal intencionados, mas sobre isso você já tem bastante material em Hollywood…

A realidade não está ficando muito atrás da ficção, não é !?

Lembra dos drones entregadores de pizza e armados que falei há pouco? Os EUA já deram bons exemplos (sem pizza) no Afeganistão…

Pior, já viu os robôs animais e insetos que fazem você pensar em uma forma de guerra ao estilo das pragas do Egito? Se liga:

O fim da prostituição humana

Robô baseado na Scarlett Johansson

Uma das coisas mais bizarras dessa evolução toda são os robôs sexuais. Não vou me dar ao trabalho de analisar agora o motivo que leva alguém a ser ou contratar uma prostituta(o), mas essa questão das máquinas com aparência e movimentação cada vez mais humana é no mínimo sinistra!

Como sabemos, os itens tecnológicos ficam cada vez mais baratos. Vai ver quanto custava o iPhone 3GS no lançamento em 2009 (R$1699) e olha agora (no Mercado Livre tem por R$268 com garantia e frete grátis). Melhor, pensa que provavelmente você tem mais poder computacional nas suas mãos do que a galera da NASA tinha na espaçonave da missão Apollo 11!

Logo, não muito distante, as pessoas que compram bonecas infláveis e contratam serviços sexuais terão os seus próprios robôs. Digo próprios porque Sexual Robots as a Service é algo perigoso por vários motivos…

Acho que existirão muitas pessoas no movimento maker focadas só nisso, como o tiozão lá que criou a sua própria Scarlett Johansson (foto acima). Ele gastou uns 50 mil dólares, mas com a produção em massa você acha que vai para quanto?

Será um GRANDE mercado, vejo famosos até licenciando a sua imagem para isso! A gente sabe como a nossa sociedade é bem bosta e coisas estranhas ficam normais com o tempo. Esse tipo de produto está saindo do artesanal/personalizado para a produção em massa e não muito distante para a personalização em massa, como o cenário hipotético abaixo:

O Fulano vai ao site (ou fala com a sua parede computadorizada mesmo) e monta o seu robô com a parte X da famosa Y e a parte Z da famosa W, além de uns ajustes na parte Q. Compra e recebe um drone em poucas horas com a sua encomenda…

O que você acha? Será um “hasta la vista” para a profissão mais antiga do mundo?

Os diretos e deveres dos robôs

Wall-e

Com robôs cada vez mais parecidos com os seres humanos, logo começarão a aparecer os defensores dos direitos do robôs. Assista ao Wall-E (foto acima) agora que os seus olhos estão abertos para essa possibilidade. Ele nem parece humano e as pessoas já ficam derretidas por ele!

Não estranhe se algo como #VidasRobóticasImportam e diálogos como o abaixo surgirem:

Ter robôs com aparência humana deve ser proibido. Isso é escravidão!

Pare de usar robôs para a faxina então! Robôs são robôs!

É relativo…

Vamos todos contra a escravidão robótica!

Vidas robóticas importam!

Já falei em direitos, vamos agora aos deveres dos robôs!

Pensa comigo: Se um robô cometer um crime, quem irá responder por ele? O próprio robô, o seu dono ou o seu criador? Se forem os robôs, como eles serão punidos? Existirá cadeia ou pena de morte para os robôs? Como os robôs pagarão pela sua defesa? Espera, ainda existirão advogados no futuro?

Temos bastante coisa para pensar, não?

Uma renda básica universal

Elon Musk

Voltado ao assunto dos empregos, o Elon Musk (o cara da foto acima e alguém que você precisa conhecer), falou algo muito interessante:

“Existem boas chances de acabarmos adotando uma renda básica universal ou algo do tipo graças a automação. Eu não tenho certeza se vai ser assim, mas acho que pode acontecer”

Como chamamos a “renda básica universal” no Brasil? Isso mesmo, Bolsa Família!

Na Suíça, houve uma votação nesse ano para o povo decidir se era a favor ou não de uma bolsa para todos os habitantes. Inclusive, essa questão da automação era um dos argumentos do lado favorável. Para fazer isso, a proposta envolveria um aumento de impostos, corte de investimentos, entre outras medidas para fazer os números fecharem. No fim, a população votou não!

Outros países, como o Finlândia, estudam a adoção parcial de uma renda básica universal. Eles farão um teste no começo de 2017. A ideia lá é simplificar os benefícios sociais e estimular as pessoas a trabalharem. Segundo eles, muitos deixam de trabalhar para receber benefícios de desempregos oferecidos pelo Estado. Bem, vamos aguardar os resultados…

Digamos que essa seja a prática amplamente implementada no futuro para balancear as mudanças que a automação fará na sociedade. O que um Bolsa Família mundial contemplaria? Comida? Bebida? Ou, como o pessoal do Titãs canta: Diversão? Arte?

Quem cuidaria dessa bolsa? Cada país cuidaria da sua? Uma organização mundial ficaria encarregada? E a corrupção, não teremos corrupção no futuro?

E o desejo de consumo, a inveja e a individualidade? Esses são fatores consideráveis.

Quem serão os fornecedores? Os Estados tomarão controle das empresas? Qual será o futuro do dinheiro?

Temos ainda mais coisas para pensar, não?

Conclusão

Conclusão

Essas questões sobre o futuro dão alguns livros. O tema é complexo e ninguém, ninguém mesmo, tem a resposta, apenas chutes melhorados. Mais do que tecnologia, esse assunto envolve política, cultura, conflito de interesses, entre outras coisas nada exatas.

Eu fui ousado o suficiente para dar alguns chutes sobre o futuro, mas o meu objetivo com o texto foi mesmo te deixar com algumas reflexões. Eu brinco que ignorância é uma bênção, mas quem tiver capacidade de analisar, deve analisar!

Espero ter deixado você mais preparado do que esse gatinho lidando com um robô dinossauro pela primeira vez:

Vida longa e próspera!

Olá,

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