O ódio nosso de cada dia…

O ódio nosso de cada dia...

Fiquei um bom tempo sem escrever artigos longos. Nesse hiatus, me voltei para algumas questões fundamentais que estarão em conteúdos daqui para frente. Deixamos passar muitas coisas importantes ao olharmos só para a superfície da vida…

Surpreendentemente (ou não), nessa reflexão toda fiquei encantado com algo nada encantador — o ódio. Não imaginava a importância dele para entender o mundo. Ele é (talvez) a maior rede social do mundo, entre outras coisas. Já explico isso…

Por que odiamos?

Um princípio fundamental para entender o ódio é a separação “nós/eles”. A quantidade de fenômenos que ele explica é fascinante. Desde odiar o chefe até praticar corrupção.

Um político nunca rouba dele mesmo, apesar de roubar já que também paga impostos. Ele acredita estar roubando dos outros e faz claramente uma divisão “nós/eles”.

Todas as pessoas que sofrerão com as consequências são parte do grupo eles. Ninguém tiraria o pão e o remédio de sua própria família (vulgo, nós), exceto quem vê a própria família como “eles”, daí o buraco é bem mais embaixo…

Da mesma forma, os funcionários que odeiam os seus chefes os colocam em outro grupo, são “eles”. Tudo que o chefe falar será interpretado de forma diferente, se ele está no grupo “nós” ou no “eles”. Se o chefe está no time, ele pode ser duro, veja o Bernardinho, por exemplo. Mas, se ele está está fora do time, será visto como um monstro…

Juntando essa separação “nós/eles” com a raiva, o nosso senso de autopreservação acreditará que manter a integridade depende de destruir o outro. E, voilà, ódio has been planted!

Arma nuclear

O que fazer com isso?

Um agravante do ódio é o forte efeito de rede que ele possui. Uma pessoa que odeia, infecta facilmente outra e outra e outra… Existem casos de ódio que duram centenas de anos e arrastam milhões de pessoas (dica: Jerusalém). Por esse motivo que falei no início que o ódio é a talvez a maior rede social do mundo, ele conecta bilhões de pessoas no planeta, com ou sem Internet.

Rush W. Dozier, Jr, autor do livro “Por que odiamos?”, chega ao ponto de classificar o ódio como a pior arma de destruição em massa do mundo. Afinal, soltar uma bomba atômica ou napalm, passa antes pela construção de um ódio profundo…

Talvez, você e eu, não temos o poder de evitar que um chefe de estado aperte o botão vermelho, mas podemos evitar que o nosso próprio dedo clique no compartilhar. Em certa escala, indiretamente podemos evitar centenas de mortes ao cuidarmos com a “língua”. Como disse Salomão, “quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento”.

P.S: Esse texto de forma alguma diz para baixar a cabeça para o que há de errado no mundo. Existem coisas que não podem ser ignoradas. Com dito por Martin Luther King, “o que me preocupa não é o grito dos maus e sim o silêncio dos bons”.

Martin Luther King

Robson Cristian

O cara que criou esse blog! :)

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