High Tech High Touch: a tecnologia e os 5 maiores arrependimentos antes da morte

A tecnologia e os 5 maiores arrependimentos antes da morte

Definitivamente esse não é um tema leve. Escrevendo as lições aprendidas com o livro do Cortella, “Por que fazemos o que fazemos“, e depois lendo o “High Tech High Touch” do John Naisbitt, Nana Naisbitt e Douglas Phillips, o tema desse artigo veio “estranhamente” de forma natural para mim.

Passamos muitas vezes a vida no modo automático e não vemos o tempo passar. Ainda mais depois dos 18 anos, quando os dias parecem ficar cada vez mais curtos. Já escrevi sobre isso em outro artigo e muita gente concordou!

Buscamos formas e mais formas de ganhar tempo. Temos dezenas de aplicativos em smartphones, tablets, smartwatches, … que de pouco adiantam. O nosso hábito de nos ocupar de forma “não inteligente” supera a tecnologia.

A mídia social que facilita a comunicação com os nossos entes queridos, também nos traz um mundo de informações que nos deixa sobrecarregados. Cada solução é um novo problema.

Nota mental: em 2050, um dos maiores arrependimentos antes da morte será ter passado tanto tempo vendo memes e gifs animados. (tweet isso)

Vamos fugir…

Uma coisa que achei muito interessante no livro “High Tech High Touch”, foi a menção ao mercado criado em paralelo ao de tecnologia – o mercado de fuga da tecnologia. Segundo os autores, um mercado gigante! Doido, não?

Isso fez sentido pra mim! De vez em quando, ouço alguém dizendo que quer passar alguns dias no campo, ficar desconectado da Internet e respirar, como se a tecnologia o sufocasse.

Claro, não falam isso sobre as tecnologias aplicadas à medicina. Ninguém quer extrair um dente do jeito como era feito na época de Tiradentes. Muito menos passar por outras cirurgias de forma arcaica.

Então, será que o problema está na tecnologia da informação e comunicação (TIC)? Eu acredito que não.

O problema somos nós, crianças que não encontraram o seu limite e comem sem medida esse chocolate chamado Internet. Não é à toa que os brasileiros são figurinhas carimbadas na lista de maiores consumidos de Internet. Segundo o Facebook, um usuário médio do mundo checa as notificações três vezes ao dia, enquanto que no Brasil, esse número chega a 17.

Os maiores arrependimentos antes da morte

Muitas listas de maiores arrependimentos antes da morte já foram publicadas e vi a influência da tecnologia em vários deles. Tanto para o bem quanto para o mal.

Como exemplo, vou usar a lista da enfermeira Bronnie Ware. Ela escreveu o livro “The Top Five Regrets of the Dying – A Life Transformed by the Dearly Departing” sobre esse tema em 2012.

1 – Queria ter aproveitado a vida do meu jeito e não da forma que os outros queriam

Não sei se você já conheceu pessoas que vivem para criar posts para mídias sociais. Criem situações e mais situações para ganhar likes. Essa é uma espécie de escravidão. Mesmo quem não chega a esse extremo, sofre um pouco a influência do “certo da Internet”.

2 – Queria não ter trabalhado tanto

Essa é uma das coisas mais controversas, em tese a tecnologia nos ajudaria a trabalhar menos. Mas, trabalhamos cada vez mais. Você pode não ficar na lavoura das 5h às 14h, mas está no escritório das 8h às 20h e ainda responde muitos emails nos finais de semana.

3 – Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos

De certa forma, a Internet ajuda nisso. Ela é uma boa “desopiladora de fígados”. Ok, se a pessoa tiver alguns sentimentos, digamos, “politicamente incorretos”, vai arrumar umas tretas ao se expor publicamente na rede. Porém, ela pode falar de forma privada via mensagem e expressar seus sentimentos guardados de um jeito mais fácil.

4 – Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos

Pode não ser um contato tão próximo, mas as mídias sociais servem bem nesse caso. Eu “acho” que esse item não será um TOP 5 quando alguém fizer uma lista assim daqui 40 ou 50 anos.

5 – Queria ter me permitido ser feliz

Eu vejo a tecnologia nos dando ao mesmo tempo mais vida e menos vida. Temos mais tempo, mas um tempo que voa, como o piloto automático que já mencionei no início. Fora isso, aqui tem muito do item 1, viver de acordo com os padrões dos outros. Ninguém pode te dizer o que te deixará feliz. O que deixa o outro feliz, pode não ser o que te deixar feliz. Lembre-se o que sua mãe respondia quando você falava: “…mas o fulano também…”.

Fechando…

Temos a impressão que o mundo muda muito rápido. Ficamos deslumbrados com avanços tecnológicos, como se fossem o nosso próprio avanço como seres humanos, como se fôssemos uma espécie de “homo tech sapiens” melhor a cada nova versão do iPhone.

Lendo o “High Tech High Touch”, vi como a evolução tecnológica trouxe também uma desumanização. Os games associaram a violência ao prazer. Por mais que eu não acredite que estimulem a violência (joguei muito dos 3 aos 12), não consigo negar essa associação bizarra.

De certa forma, estamos acostumados com as guerras no Oriente Médio, as doenças na África e até os conflitos nas favelas do Rio (quem não é do Rio, é claro). Para alguns eventos, compartilhamos fotos e publicamos hashtags de apoio, mas nada além disso. Tenho dúvida sobre o quanto disso é por empatia ou “porque todo mundo faz”.

Quanto mais High Tech (tecnológicos) ficamos, menos High Touch (próximos) ficamos? Será isso verdade? Ou, estamos ficando menos próximos independente dos avanços tecnológico?

Qual é a sua opinião sobre isso?

Robson Cristian

O cara que criou esse blog! :)

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